As novas evidências do papel dos Astrócitos no processamento do repertório comportamental
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A ideia da existência de um órgão responsável pelo comportamento e funções superiores do
organismo se modificou ao longo da história. Somente no início do século XX, a formulação
de uma teoria neuronal se consolidou. Porém, as novas pesquisas lhe colocaram limites, quer
pela complexidade da comunicação sináptica, quer pelas descobertas a respeito da ação
moduladora das células gliais na comunicação sináptica. Atualmente, não se pode pensar o
funcionamento do sistema nervoso sem considerar a troca de mensagens químicas entre essas
células e os neurônios. Um exemplo são os astrócitos, células da neuróglia presentes no
sistema nervoso central, que exercem efeitos na plasticidade cerebral. O objetivo geral desta
monografia é discutir as novas evidências do papel dos astrócitos como importantes na
aquisição e manutenção do repertório comportamental do organismo. A principal questão é
saber como a interação dessas células com os neurônios afeta a comunicação sináptica, com
implicações para o processamento das informações, a aprendizagem e a formação da
memória. Em relação aos objetivos específicos, há um esboço histórico das várias concepções
sobre a fisiologia do sistema nervoso, incluindo o aparecimento do conceito de neurônio e o
debate sobre a função da neuróglia, com destaque para os astrócitos. Segue-se uma descrição
sobre os aspectos classificatórios, morfológicos, fisiológicos, no sistema nervoso central e
periférico, assim como os ontogenéticos e filogenéticos das células gliais. Por último,
discutem-se as contribuições dos astrócitos para a própria gênese e manutenção do
comportamento animal. Os resultados de muitas investigações apontam os astrócitos
associados à indução, ao fortalecimento e à manutenção das sinapses. Além disso, tais células
possuem um intrincado envolvimento no metabolismo de vários transmissores, oriundos do
seu próprio citoplasma ou das vesículas neuronais. Contudo, existem muitas dúvidas como
essa interferência afeta o repertório comportamental do organismo, quer espacialmente, quer
temporalmente. Torna-se fundamental a realização de futuras pesquisas sobre a atuação dos
astrócitos no organismo vivo, que possa elucidar melhor a respeito das funções superiores do
cérebro: a memória, a linguagem, o pensamento, a consciência. Esse novo campo de
investigação pode abrir novas perspectivas sobre o tratamento de transtornos neurológicos,
exemplificado nos casos demenciais como o Alzheimer, ao se considerar a importância da
integridade da comunicação entre os neurônios e os astrócitos.