Limites da invisibilidade: a revisão de tradução no dicionário infernal
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Quando se trata da publicação de traduções no mercado editorial, uma das etapas
finais é a revisão da tradução, caracterizada pelo cotejo de texto original e tradução.
O revisor de tradução, revisor técnico, ou ainda, tradutor-revisor, além das
atribuições habituais de um revisor de textos – que envolvem desde aspectos
gráficos, ortografia, coerência e coesão a ideologia e construção do sentido – é
responsável pela avaliação da qualidade da tradução e pelas intervenções
necessárias para melhorar o texto traduzido e adequá-lo a seu público-alvo. No
entanto, a revisão de tradução é tida como atividade menor, secundária, cuja
condição de invisibilidade ultrapassa a da tradução. Este trabalho se propõe a situar
a revisão de tradução como atividade interventora, por meio da análise das
modificações propostas pelo revisor na tradução de uma obra de demonologia e de
seres fantásticos do século XIX, o Dicionário Infernal (1863), ainda não publicada.
Foram selecionados trinta “erros” de tradução modificados pelo revisor de tradução,
classificados neste trabalho em erros binários e não binários, de acordo com a
nomenclatura cunhada por Anthony Pym (1993). Com base nesses dados, esta
pesquisa busca elucidar as seguintes questões: no que consiste o trabalho de
revisão de tradução; em que tipos de “erros” e de que forma o revisor de tradução
intervém no texto traduzido; e qual a importância do tradutor-revisor no processo de
produção editorial.