Eros e psiquê: quando a alma é tocada pelo amor
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No presente trabalho apresentamos a importância do mito como constituinte do fazer
humano. Por meio do relato da história de Eros e Psiqué, descrita pelo poeta latino
Apuléio, demonstramos como o mito torna-se a forma ilustrativa do desenvolvimento
da Alma a nível pessoal e cultural através do seu contato com o Amor tanto na
psicanálise como na psicologia analítica. Ao tratar desse desenvolvimento nos
debruçamos primeiramente sobre a psicanálise do contato do bebê com a mãe como o
despertar da alma para a relação eu-outro, do impedimento que a criança sofre em voltar
a essa relação e como essa energia ora interditada volta-se para outras relações e para o
desenvolvimento da cultura. Quando abordamos a relação entre Eros e Psiqué, na teoria
junguiana, nos deparamos com o inconsciente coletivo, arquétipos e complexos, de
como estas imagens fazem parte da vivência humana, de como são herdados por meio
desse conjunto de vivências – a cultura. E como estas imagens se dispõem para alcançar
o que a psicologia analítica denomina individuação. Apresentamos também uma breve
crítica aos limites dos modelos apresentados e de uma nova postura de psicoterapia para
os tempos pós-modernos defendida por pós-junguianos, que a denomina como
psicologia profunda, voltando às raízes, antes das cisões entre as teorias que abordam a
análise do inconsciente. Consideramos finalmente, a necessidade de estudo aprofundado
na abordagem do mito como exemplo de saber humano que, como ilustra nosso
trabalho, foi e é fundamental para o estudo e desenvolvimento das psicologias do
inconsciente tanto na teoria quanto na sua prática: a clínica.