Psicologia e religião: limites e possibilidades
Loading...
Files
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
DOI
Abstract
A presente monografia objetiva demonstrar o difícil diálogo entre religião e ciência –
especificamente – psicologia e psiquiatria – abordando-se as resistências científicas em
considerar o aspecto religioso para além do psicopatológico; e visa ilustrar as possibilidades
de articulação entre ciência e religião na proporção de saúde e bem-estar psicológico. O senso
religioso é tão antigo quanto a própria humanidade, configurando-se como importante forma
de perceber o mundo. Contudo, com o advento do racionalismo e do cientificismo a relação
entre religião e conhecimento válido tornou-se conturbada. Este trabalho discorre, assim,
sobre o caráter subjetivo humano e as concepções de objetividade que permearam as ciências
emergentes no Renascimento. Demonstra que em sua busca pela objetividade, o homem
moderno entrou em duelo com sua própria subjetividade e abandonou as possibilidades
salutares da experiência religiosa, despercebendo-se da dimensão transpessoal, sagrada,
espiritual, inerente ao fenômeno religioso não secularizado ou institucional. Ilustra a função
da religiosidade como proporcionadora de ordem para o mundo; a relação entre a quebra do
paradigma medieval e o vazio existencial que permeia o homem pós-moderno. Situa que a
relação “íntima” do sujeito religioso com o divino configura-se como a “verdadeira”
religiosidade. Relata a continuidade do fenômeno religioso na pós-modernidade, a despeito
das heranças cientificistas dos tempos modernos, destacando-se que o homem pós-moderno,
é, então, um ser caracterizado pela insegurança, por um vazio existencial que o movimenta,
paradoxalmente, a uma busca pelo transcendental. Constata que, fundamentalmente, a
Psicologia Analítica e a Psicologia Transpessoal apresentam-se como possibilidades efetivas
para um diálogo entre ciência e religião, pois consideram que o homem possui uma dimensão
espiritual e compreendem que a religiosidade afigura-se como condição fundamental para o
estabelecimento da saúde física e mental, entendendo esta última, como decorrente da
integração psicológica entre a instância consciente e os conteúdos inconscientes. Demonstra
que prevalece no campo científico o legado positivista, organicista, e nesse âmbito aponta
para os problemas da visão psiquiátrica de sofrimento mental, destacando-se a relação
assimétrica entre profissional de saúde e paciente; para o reducionismo neurobiológico na
concepção de homem e a conseqüente exclusão da importância da religião para o bem-estar
humano. É demonstrada, também, a relação entre produções de sentido, religião e
adoecimento mental, bem como a relação entre o contexto cultural e adoecimento mental, ou
seja, a importância da contextualização para evitar a normatização e a rotulação dos religiosos
e dos portadores de sofrimento psíquico. Em outro momento, aborda, mais detalhadamente, o
contexto religioso e os diagnósticos de psicose e as confusões decorrentes das aparentes
similaridades entre fenômenos religiosos (místicos/mediúnicos) e psicopatológicos –
basicamente a esquizofrenia e o transtorno dissociativo de identidade – tecendo-se breve
discussão acerca da realidade e dos estados alterados de consciência. Por fim, expõe a relação
consciente/inconsciente no contexto religioso e sua importância para a saúde; a necessidade
do escoamento da energia psíquica em direção ao sagrado; a busca do Deus interior como
caminho para o surgimento do homem integral; o autoconhecimento e a consciência da
alteridade como fatores que possibilitam transcender a insegurança que assola o homem pósmoderno.