Representações do berçário institucional dadas pelas mães servidoras
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Estudar a representação que as mães têm do berçário em que deixam seus filhos
é questão de muita importância para que se entenda o processo de separação
que ocorre quando as mulheres retornam ao trabalho. Essa monografia usou
como investigação a pesquisa qualitativa por que esse método ajuda na
investigação dos fenômenos observados dentro das Ciências Sociais, pois
possibilita maior compreensão dos aspectos ligados às motivações e demais
subjetividades envolvidas no comportamento humano. Este trabalho buscou
amparar-se nas teorias, sobre a relação mãe e bebê desenvolvidas por Winnicott,
Bowlby e Pichon-Riviére. O berçário é uma instituição criada no século XVII,
destinado a cuidar de crianças cujas mães trabalhavam fora. Em seu modelo
atual, incorporou-se diversas outras funcionalidades, dentre as quais as de caráter
educativo. No Brasil, o modelo ganhou foros institucionais por ocasião do
processo de industrialização, implementado ao longo do século XX.
Recentemente, uma instituição Governamental do Distrito Federal, atento às
necessidades de suas servidoras e ao que dispõe a legislação vigente, criou o
projeto PROMATER, que é o berçário destinado ao incentivo ao aleitamento dos
bebês por suas mães que integram o quadro da instituição. A partir do conceito de
representação social, desenvolvido por Moscovici, foram coletados dados em
entrevista do tipo semi-estruturadas com quatro mães servidoras, por que este
instrumento de pesquisa teve como objetivo identificar as representações
envolvidas acerca do que significa o Berçário para as mães servidoras. O método
utilizado para a análise dos dados foi o hermenêutico-dialético desenvolvido por
Minayo, a qual , baseada na metodologia desenvolvida por Habermas, preconiza
que, para a análise e interpretação, um único e mesmo movimento, que integra a
atividade de conhecimento dos dados coletados, constituindo-se , essa
metodologia, num conjunto de técnicas que possibilitam maior compreensão da
realidade através da participação ativa do pesquisador. Ao final, pôde-se constatar
que as representações dadas pelas mães sobre elas mesmas influenciam
aquelas que constróem sobre o berçário. 0 fato de ser o berçário o instrumento
que leva a cabo a separação da mãe e do seu bebê, gerando sofrimento para
ambos, alimenta na mãe sentimentos ambíguos e pensamentos confusos. Dessa
forma, pode-se perceber que no início do processo da relação mãe-berçário é
construídas algumas representações de caráter negativos geradas pelos próprios
sentimentos de medos e inseguranças das mães, além de serem decorrentes,
também, da possibilidade do enfraquecimento do vínculo existente entre a relação
mãe e bebê. Logo depois, percebe-se que outras representações foram se
construindo a partir do grau de segurança das mães em relação ao berçário.