Transferência – o que é isso que se sente?
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O objetivo desta pesquisa foi a compreensão da transferência como
percebida pelo analisando – uma compreensão a partir de uma visão mais íntima
desse fenômeno tão extraordinário, intrigante e de sentido quase inapreensível. A
revisão bibliográfica examina o desenvolvimento dos conceitos de transferência e
contratransferência na obra de Freud e os desenvolvimentos teóricos de autores
pós-freudianos a respeito desses fenômenos, em especial Lacan, assim como sua
importância na prática da psicanálise hoje, segundo psicanalistas e comentadores
contemporâneos. Devido à natureza inconsciente do fenômeno abordado e da
dificuldade de se pensar e relatar os afetos ligados à transferência, o estudo, que
abordou um pequeno recorte desse vasto campo, se limitou a um número reduzido
de participantes. A abordagem adotada foi qualitativa, uma vez que essa, assim
como a psicanálise, se fundamenta no campo da subjetividade e do simbolismo. A
coleta de dados foi feita através de um breve questionário que procurou instigar a
reflexão dos participantes acerca de sua relação com o/a analista. Os dados obtidos
foram submetidos a uma análise de conteúdo. Além de confirmar a dificuldade de se
falar de um tema que trata de conteúdos inconscientes, os depoimentos coletados
permitiram identificar diversos aspectos teóricos e clínicos relativos ao tema, tais
como a importância do manejo da transferência do analisando e da
contratransferência do analista. Mais especificamente foram identificados fatores
que motivam a busca por análise, desenvolvimento do vínculo e da transferência
analítica, transferência positiva e negativa, desejos e fantasias que se tem antes
mesmo do início da análise, sujeito suposto saber, interpretação da transferência,
uso do divã, pessoa real do analista, modo como os analisandos lidam com os
sentimentos positivos e negativos que nutrem pelo analista e efeito da análise.
Transparece nas falas que a psicanálise é um processo afetivo e não intelectual e
fica evidente a necessidade do analisando se entregar afetivamente ao processo de
análise. Os depoimentos também evidenciam que o desejo do analista deve ser um
desejo como função que lhe permita colocar-se como objeto causa de desejo e
nunca atuar seu desejo egóico. Acredita–se que foi possível vislumbrar a percepção
dos participantes acerca da transferência analítica.
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Citation
REIFSCHNEIDER, Marina Becker. Transferência – o que é isso que se sente? . 2015. 67 f. Monografia (Especialização em Teoria Psicanalítica) – Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento, Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2015.