Abuso sexual infantil intrafamiliar: do surgimento da infância à atualidade
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A presente monografia propõe-se a abordar a dinâmica da família que inclui violência, com
ênfase no abuso sexual infantil intrafamiliar. Para isso foi feita uma análise da história da
infância, constatando que a mesma é um fenômeno da modernidade. Na Idade Média não
havia uma diferenciação entre crianças e adultos; a criança participava de tudo, inclusive das
orgias sexuais. A partir do surgimento de um sentimento pela criança, as famílias começaram
a organizar-se em torno delas. A família tornou-se responsável pela formação e bem estar da
criança, passando a desempenhar um papel de cuidadora e protetora da criança e demais
membros. A infância passou a ser vista como uma fase de desenvolvimento de fundamental
importância para a formação do ser humano. Atualmente, é possível identificar uma
banalização da infância. As crianças passaram a usar modelo de roupas de adultos, a dançar
músicas impróprias e a serem expostas, por meio da mídia e demais meios de comunicação, a
informações inadequadas, tais como, cenas de sexo explícito na televisão e letras de músicas
com viés pornográfico. Contudo, a criança não perdeu seu valor e importância. Mas muitas
sofrem maus-tratos, abusos (moral e sexual), exploração, abandono e são negligenciadas pelos
seus pais e familiares. Crianças que desde a mais tenra idade são abusadas sexualmente,
principalmente, pela figura paterna. Dados referentes aos casos de abuso sexual infantil,
apesar de serem alarmantes, significam somente a ponta de um iceberg. È possível identificar
uma disfunção nas famílias em que ocorre abuso sexual de crianças e adolescentes. Sendo
perceptível na dinâmica de famílias abusivas uma hierarquia evidente e também uma intensa
desigualdade de gênero (homem é superior à mulher) e de geração (o adulto é superior à
criança). Fato que leva à manutenção do ciclo da violência, pois os demais membros se
submetem ao agressor por se sentirem inferiores e impotentes. O principal responsável pela
manutenção do ciclo da violência intrafamiliar é o segredo que permeia os membros da
família. Por não terem coragem de revelar o segredo da violência, devido ao medo das
conseqüências que isso trará para a família, a violência torna-se recorrente. O segredo reforça
as ações do agressor, revelando uma cumplicidade e coesão doentia de todos os membros da
família. Esse contexto de violência pode ser passado de geração em geração, se o segredo não
for revelado. Sempre haverá um membro da família que assumirá o papel de agressor ou
abusador e outros no papel de vítimas enquanto essa dinâmica de violência perdurar.