O sentido da vida em pacientes graves
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Abstract
A morte é algo inevitável e inerente a todo ser vivo. Mas houve uma mudança na
maneira de lidar com ela. Antigamente, o homem era preparado para a sua morte e
cumpria todo um ritual de passagem, onde o moribundo exprimia suas últimas
vontades, dava suas recomendações finais, pedia perdão e se despedia dos amigos
e parentes. Hoje, o ideal é que se morra sem se dar conta, a morte foi mercantilizada
e tornou-se objeto de lucro. Além disso, já não se morre mais em casa, rodeado
pelos entes queridos, passou-se a morrer no hospital, onde o paciente é alienado e
perde a sua individualidade e o seu querer. Muitas vezes, o paciente não conhece
sequer o seu diagnóstico completo, cada um reage de uma forma, frente à
descoberta do diagnóstico, alguns se deprimem, outros se revoltam, outros ainda,
utilizam-se da experiência para amadurecer. A equipe médica, por sua vez, também
enfrenta dificuldades em lidar com os pacientes graves, pois, tal gravidade leva a
equipe a se confrontar com sua própria fragilidade. Quando o paciente vê a morte
como algo natural, ele consegue abstrair o verdadeiro sentido da vida e busca
aproveitar cada momento. A pesquisa foi realizada de acordo com a epistemologia
qualitativa, onde foram utilizados como instrumentos, uma entrevista semiestruturada
e um complemento de frases. A participante possui um câncer com
metástase múltipla, que permitiu a ela uma reflexão sobre seus processos
subjetivos, promovendo uma mudança no sentido da vida. A construção da
informação foi elaborada com base em eixos temáticos levantados durante a
pesquisa. Sendo assim, avaliou-se como a paciente enfrentou o diagnóstico, bem
como o tratamento da doença. Buscou-se compreender quais os seus principais
medos e como ela lida com seu ambiente familiar e social, após o diagnóstico.
Foram levantados quais são os seus projetos de vida e suas expectativas futuras. A
partir destes aspectos, foi analisado como a participante da pesquisa enfrenta a vida
após o diagnóstico, verificando uma possível mudança de sentido subjetivo,
decorrente da confrontação de uma possibilidade de morte. O objetivo deste
trabalho é chamar a atenção para a necessidade de perder o medo da morte, a
partir da conscientização da nossa efemeridade, para que, assim, possamos
alcançar uma melhor qualidade de vida e aproveitar cada momento que nos é
proporcionado, buscando a felicidade na simplicidade da vida.