Da (im)possibilidade da justiça restaurativa no Brasil: a institucionalização ou a deformação de um modelo crítico ao sistema de justiça criminal do Distrito Federal
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A presente dissertação considera a trajetória da institucionalização da Justiça Restaurativa (JR)
no Brasil, tendo como pano de fundo o enfoque institucional, aplicado à análise de políticas
públicas, e centrando-se no caso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios
(TJDFT) para verificar se a política nacional formatada pelo Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) se concretizou e quais seriam os entraves que impediriam ou dificultariam sua
implementação. Ademais, sendo a JR apresentada como alternativa ao sistema de justiça
criminal, considerar se, no caso brasileiro, poder-se-ia afirmar ter sido descaracterizada sua
proposta original, ao se apresentar como novo paradigma para lidar com os conflitos
judicializados, especificamente aqueles vinculados à esfera criminal, objeto principal da prática
naquela Corte. A hipótese de que partimos é a de que as práticas restaurativas somente
ganharam projeção e reconhecimento quando impulsionadas por iniciativas do Estado, o que
dificulta a participação da sociedade civil em seu crescimento e (re)formatação, tornando
provável sua apropriação pelo sistema em vigor e a perda de sua força transformadora. Nossa
pesquisa é exploratória, para a qual realizamos uma revisão da literatura e análise dos
documentos normativos produzidos pelo Poder Judiciário para institucionalização de suas
práticas restaurativas. Valemo-nos de uma abordagem institucionalista de políticas públicas,
conjugando o campo do Direito com o estudo de Políticas Públicas que nos guiou também na
leitura da história e das teorias da Justiça Restaurativa. A inclusão de um capítulo específico
sobre o Brasil visou identificar todo movimento que seguiram as ideias, práticas, e discussão
teórica sobre a JR até sua entrada na agenda do Estado e, por fim, ser assumida pelo Poder
Judiciário, via CNJ. Concluímos, com uma avaliação crítica sobre a institucionalização no
âmbito do TJDFT, em busca de precisar, no caso concreto, se essa política pública, com
formulação e implementação top-down, distancia-se, e quanto, dos ideais comunitários a que
se vincula histórica e teoricamente a JR, com risco de ser reduzida a procedimentos e técnicas,
ou confundida com métodos alternativos de resolução de conflitos já estabelecidos, como a
conciliação criminal, da Lei n˚ 9.099/95, travando seu potencial desenvolvimento e capacidade
de inspirar alterações mais substantivas no funcionamento do sistema de justiça criminal do
distrito federal.
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Citation
FARIA, Nadine Neves. Da (im)possibilidade da justiça restaurativa no Brasil: a institucionalização ou a deformação de um modelo crítico ao sistema de justiça criminal do Distrito Federal. 2022. Dissertação (Mestrado em Direito) – Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento, Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2022.