Biomicroscopia ultrassônica para diagnóstico de glaucoma secundário: relato de caso (Destaque)
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Foi atendido no dia 06 de janeiro de 2021, um cão, macho, sem raça definida, 4 anos de idade.
O paciente foi diagnosticado previamente com glaucoma bilateral não responsivo às
medicações (dorzolamida e latanoprosta). Na avaliação da pressão intraocular, apresentou 42
mmHg no olho direito (OD) e 40 mmHg no olho esquerdo (OS), sendo o valor considerado
normal de 15 a 25 mmHg em cães e gatos. Os outros parâmetros oculares se mostraram normais.
Após avaliação clínica, suspeitou-se de glaucoma secundário a uveíte e foi solicitado a
Biomicroscopia Ultrassônica (UBM). Para o procedimento foi realizada a sedação do paciente
com dexmedetomidina e metadona, após administração dos fármacos foi instilado uma gota de
colírio a base de cloridrato de oxibuprocaína à 0,4% nos olhos, sendo repetido após 10 minutos.
Nas mensurações feitas através da UBM (Tabela 1) foi constatado que o tamanho da fenda
ciliar, a área da fenda ciliar e a área do plexo angular estavam com suas mensurações zeradas,
mostrando o total fechamento do ângulo iridocorneal pelo edema de íris causado pela uveíte
(Figura 1). No laudo do exame constatou-se o fechamento da fenda ciliar e do ângulo de
drenagem e espessamento da íris, edema de córnea bilateral com difícil diferenciação da linha
de Shwalbe. Nesse caso, a uveíte foi tão intensa que a íris esteva edemaciada a ponto de
comprimir o ângulo de drenagem e gerando um quadro de glaucoma bilateral, sendo necessário
o tratamento das afecções. Para o tratamento, foi receitado o Triplenex (BID), o cloridrato de
dorzolamida 2% (TID) e a prednisolona 1% (QID). Foi sugerido aos tutores que realizassem
uma investigação sobre a causa primária da uveíte, mas se recusaram. Após 15 dias o paciente
retornou, onde foi averiguado que a pressão intraocular estava estável, com isso manteve-se a
dorzolamida (BID) e prednisolona (BID) por 15 dias. A prednisolona foi mantida por uso
contínuo (BID), pois a quebra da barreira hematocular pode gerar uveítes recorrentes. O
paciente foi acompanhado por 6 meses seguintes sem relatos de novas descompensações de
pressões, mantendo os olhos visuais. Em situações de uveíte que cursem com sinéquia anterior
periférica podem levar a oclusões da zona trabecular e da fenda esclerociliar. Com a UBM é
possível uma resolução mais detalhada do ângulo iridocorneal e da fenda ciliar, sendo um
método para diagnosticar glaucoma precoce em cães. A drenagem do humor aquoso (HA)
ocorre por duas vias, a via não convencional e a via convencional responsável pela drenagem
de cerca de 85 a 90% em cães e 97% em gatos. No caso relatado foi possível averiguar que este
sistema de drenagem estava comprometido durante o processo inflamatório. Em casos de
glaucoma secundário, a uveíte é a principal causa, pela capacidade de obstrução do ângulo
iridocorneal. A UBM foi um exame fundamental para o diagnóstico de glaucoma secundário,
pois com outros métodos diagnósticos não seria possível obter informações detalhadas do
ângulo iridocorneal. Sendo assim, é uma forma de avaliação que está em constante crescimento
na oftalmologia veterinária.