Limite dos modelos biomédico e biopsicossocial: o caso dos refugiados
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O modelo biopsicossocial é considerado um novo paradigma na área do campo da saúde
em contraponto ao dualismo biomédico clássico, o que não ocorre. A questão central
deste trabalho é repensar de forma critica sobre as práticas de saúde no atendimento a
sujeitos que estão na situação de refugiados no Brasil. Inicialmente é feita uma breve
discussão sobre o modelo biomédico tradicional, que continua predominante no campo
da saúde, influenciando o modelo biopsicossocial, que não conseguiu romper com a
visão biologicista e essencialista referente ao modelo biomédico. Através dos relatos de
alguns refugiados foi possível inferir algumas problematizações sobre habituais práticas
na área de saúde, como questões relacionadas a fatores culturais e a ausência de
constructos teóricos na área de saúde que possibilitem um melhor atendimento a este
grupo. Além disso, o modelo biopsicossocial não possui uma argumentação precisa, a
produção acadêmica existente é insatisfatória, apesar, de haver na prática, profissionais
que se colocam como praticantes do modelo biopsicossocial. Atribuir a variável social
não basta, têm que haver um movimento no âmbito acadêmico, que formem
profissionais de saúde que se preocupem com o sujeito que está a sua frente e não
apenas com o quadro sintomatológico ou na espera de demandas que não chegam.
Também deve-se ter uma preocupação em repensar a relação profissional de
saúde/paciente, ambos são detentores de um saber e isso deve ser usado de maneira
construtiva, entender o contexto sócio-cultural do paciente e principalmente ter uma
escuta cuidadosa. Mas, para que isso ocorra, é necessário romper dogmas, entender que
existem contextos que os sujeitos não se percebem de forma individualizada, o adoecer
liga-se ao sistema cultural em que este está inserido, logo, a idéia de “eu”
individualizado não existe. Logo, não basta criar novos modelos de intervenção, como é
o caso da visão biopsicossocial, se não houver o rompimento com o modelo
biologicista. Existe a necessidade da fomentação de pesquisas na área de saúde que
situem realmente o modelo biopsicossocial como um conhecimento diferenciado.