“Poucas palavras sobre o grande significado da brincadeira na vida da menina Ana”
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Realizou-se o estudo de Ana, uma criança de 4 anos. Os encontros foram realizados em contexto
institucional, tratou-se de um atendimento psicoterápico em contexto clínico. O objetivo do estudo foi
observar e interagir com a menina para tentar identificar a gênese de uma queixa de ansiedade. As situações
significativas de cada encontro foram transformadas em narrativas interpretativas que posteriormente foram
analisadas à luz de algumas perspectivas teóricas. Com isso, foi possível estabelecer algumas relações entre
as ações de Ana e o que a literatura apontava a respeito. Contudo, optou-se por não estabelecer relações
diretas, mas sim interpretações e suposições a respeito das ações dela. Nesse sentido, preservou-se o limite
entre o conhecimento produzido e o modo como Ana se relacionava com as pessoas, que não poderia ser
reduzido ao que foi escrito neste estudo. Observou-se a presença de atividade exploratória e de brincadeira
de faz de conta nas ações de Ana. Analisando a relação dela com sua família, verificou-se que tem pouco
contato com o pai, sendo a mãe sua principal figura de apego. Ana demonstrou que regulava seu
comportamento de acordo com a vontade da mãe que, pelo que pôde ser observado, pareceu que educava a
filha tentando atender a expectativas sociais. Levantou-se a hipótese de que para lidar com essa situação, Ana
brincou. Pôde-se observar que a brincadeira de faz de conta era uma forma de ela conciliar seu desejo com o
desejo da mãe. Discutiu-se, com base em Lev Semenovitch Vigotski, que a brincadeira de faz de conta
predomina em uma determinada época da infância, onde a criança já consegue adiar sua necessidade de
satisfação imediata. Nesse sentido, essa atividade pareceu ter proporcionado experiências nas quais Ana pôde
satisfazer suas necessidades. Foi possível, então, supor que a gênese de sua ansiedade estava na relação com
a mãe. A brincadeira de faz de conta, portanto, foi interpretada como a forma que a menina encontrou para
vivenciar momentos de liberdade com outra pessoa, o que pareceu não ser permitido quando ela estava com
a mãe.