Representações da população de baixa renda e as contribuições da publicidade
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Recentes mudanças nos cenários econômico e político acentuaram o debate
sobre a desigualdade social brasileira. A pobreza, tema controverso, caro aos
estudos sobre a construção da história nacional, é analisada, agora, a partir de uma
abordagem diferenciada. O universo do consumo e, conseqüentemente, a
perspectiva da propaganda, são o ponto de partida para novas — ou releituras de
velhas — interpretações. Este trabalho pretende analisar alguns posicionamentos
formulados no meio publicitário acerca das diferenças entre ricos e pobres. Refletir
sobre em que medida as opiniões apresentadas por nomes representativos da
publicidade brasileira se relacionam com aquelas formuladas por diferentes atores
sociais (jornalistas, políticos, empresários, entre outros). Um dos principais
desdobramentos desse debate particular tem sido a sugestão de revisão da
linguagem publicitária. O argumento: a propaganda brasileira teria sempre ignorado
a população de baixa renda e, por isso, os códigos empregados atualmente seriam
ineficientes para se comunicar com um público-alvo pouco conhecido, ou seja, os
novos consumidores vindos da base da pirâmide social. Se a propaganda é, como
sugere boa parte de seus analistas, um reflexo aproximado da dinâmica social,
pode-se questionar: como as interpretações já formuladas sobre a população pobre
— que agora é vista como consumidora — serão assimiladas pelos publicitários?
Haverá espaço para representações estigmatizadas? Qual perspectiva sobressairá?
Os resultados deste breve estudo pretendem sugerir que o caminho está repleto de
perguntas e com raras respostas acabadas.