Vulnerabilidade do consumidor brasileiro com distúrbio metabólico decorrente de alergia a proteina de leite de vaca e intolerância à lactose
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A relação contratual criada pelo consumo de bens ou serviços é uma relação
desigual de forças entre consumidores e fornecedores. O Código de Defesa do Consumidor
reconhece este desequilíbrio à medida que explicita o princípio da vulnerabilidade do
consumidor. A presente monografia tem como objeto de estudo a realidade dos consumidores
brasileiros, portadores de distúrbios metabólicos decorrentes da deficiência de lactase,
também reconhecidos como alérgicos à proteína do leite de vaca (APLV) ou intolerantes à
lactose (IL). Os direitos à proteção, à vida, saúde e segurança de tais pacientes, no Brasil,
estão sendo desrespeitados, tornando-os mais vulneráveis em face da relação de consumo de
produtos industrializados que não apresentam em seus rótulos informações claras, adequadas
e fidedignas acerca dos seus ingredientes. A realidade desses pacientes em outros países como
Estados Unidos e os da Comunidade Européia é diferenciada, pois suas legislações impõem às
indústrias a necessidade de identificação precisa e clara de todos os alergênicos integrantes de
um produto, em seus rótulos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
responsável por fiscalizar as informações nutricionais dos produtos embalados visando a
proteção à saúde dos consumidores, no entanto, não regulamentou tal obrigação às indústrias
alimentícias, prejudicando o equilíbrio entre tais pacientes consumidores e a indústria
fornecedora de produtos alimentícios. No Brasil, os pacientes com APLV e IL precisam se
apropriar dos princípios constitucionais e dos direitos integrantes do CDC para exigirem a
minimização da vulnerabilidade.