A arte imitando a vida: violência de gênero no seriado Coisa Mais Linda

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A violência de gênero é um fenômeno global, que se configura como qualquer tipo de agressão física, psicológica, sexual ou simbólica contra alguém em situação de vulnerabilidade devido a sua identidade de gênero ou orientação sexual, e segundo a Organização Mundial de Saúde (2020) atinge cerca de 35% das mulheres do mundo. Para melhor compreender este fenômeno, o presente estudo teve como objetivo central analisar a vivência de mulheres submetidas a violência de gênero a partir da série televisiva “Coisa mais linda”. Para tanto, traçou-se como objetivos específicos, investigar o processo de autorregulação e ajustamentos criativos na experiência das protagonistas da série; identificar como são retratados os estereótipos culturais de gênero feminino e masculino, e discernir os tipos de violência de gênero representados. Depois da contextualização do fenômeno investigado, buscou-se fundamentar a discussão das informações construídas com pressupostos da Gestalt-terapia. O trabalho se baseou em metodologia qualitativa e utilizou análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). Foram construídas três categorias temáticas: a) Expressões de violência de gênero; b) assujeitamento à violência e c) rompendo com a violência e descobrindo novas alternativas. Considerou-se que os objetivos da pesquisa foram alcançados e que a análise de uma trama cinematográfica se mostrou adequada para o estudo da temática em questão. Apesar da série ser ambientada na década de 60, os desafios apresentados pelas protagonistas trazem à tona tópicos como machismo, racismo, moralismo e feminicídio que ainda ressoam na década atual, levando-nos a refletir sobre mudanças ocorridas desde então e semelhanças com os dias atuais.

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