A mulher climatérica e as dificuldades vivenciadas nesta fase de vida
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O climatério compreende a peri-menopausa, a menopausa (cessação do ciclo menstrual) e a
pós-menopausa. Por muitos é considerada uma doença, mas é uma etapa natural e normal da
vida feminina. Muitos mitos e fantasias encobrem esta fase. Considerado como um período
obscuro da vida da mulher, pelo despreparo que a mesma apresenta frente às suas mudanças,
o climatério envolve aspectos fisiológicos, como as tão incômodas ondas de calor, e
psicológicos, como a irritabilidade. É uma vivência biopsicossocial. Mistura-se com a
chegada da meia-idade e suas intempéries, como a independência dos filhos, a aposentadoria,
e o assustador processo de envelhecimento, estremecendo tanto a auto-estima quanto a autoimagem
feminina, ligadas às construções sociais feitas com relação ao idoso, considerado
inútil e, muitas vezes, um estorvo. Com o objetivo de aprofundar o conhecimento a respeito
do climatério, enquanto vivência biopsicossocial em mulheres de meia-idade, foi realizada
uma pesquisa, na qual duas mulheres relataram suas experiências referentes às mudanças
típicas dessa fase de vida. A metodologia de pesquisa utilizada foi a qualitativa, por permitir a
descrição, interpretação e compreensão das experiências vivenciadas e relatadas pelas
mulheres que estão passando por esta fase. Os sujeitos da pesquisa foram duas mulheres de
meia-idade que aceitaram falar a respeito de suas vivências nessa fase carregada de tantas
mudanças, em entrevistas gravadas, cujo roteiro semi-estruturado permitiu mais liberdade de
expressão. A análise dos dados seguiu o modelo proposto por Bardin (1979), no qual foi
realizada a interpretação do conteúdo dos relatos verbais e sua organização através da
separação dos temas para serem agrupados em categorias. De acordo com a discussão dos
resultados, ficou claro como é dolorosa, para as mulheres entrevistadas, a constatação da
meia-idade, do envelhecimento, da perda da juventude. Elas consideram que o corpo não
corresponde à mente, ou vice-versa. O corpo está envelhecendo, mas o espírito, não. Por fim,
foram propostos novos olhares a essa etapa, com a criação de grupos terapêuticos que apóiem
essas mulheres nessa vivência, por vezes tão angustiante e solitária, sendo que não têm a
compreensão da família e nem da sociedade, que, ao contrário, as estigmatizam, agravando
seus sentimentos de incapacidade, baixa auto-estima, entre outros. Esta situação é mais
complicada em mulheres de baixa renda, em que, devido à desinformação, os preconceitos,
tabus, mitos aumentam o sofrimento vivenciado por elas. Não se pode esquecer que a velhice
tem sua significação criada pela sociedade, mas não significa que deva ser incorporada pelos
sujeitos, a incorporação dessa significação acarreta em preconceitos, desvalorização, e
rejeição do idoso, produzindo sua exclusão social.