Propostas para uma sociedade sem ensino obrigatório: por um aprendizado livre e autônomo
Loading...
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
DOI
Abstract
Há muitos anos, a educação tem sido um problema bastante discutido no Brasil. É
comum se ouvir a frase “o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende”,
uma denúncia da situação em que se encontram as escolas. A autonomia do
aprendizado, os grupos de estudo, o compartilhamento de informações são algumas
das ferramentas para a educação mais universal e livre. No entanto, a sociedade
escolarizada se acostumou a desacreditar no autodidatismo e a dar excessivo valor
ao ensino como mercadoria e aos diplomas. Mas essa mesma sociedade subestima
a capacidade de aprendizado do ser humano. O pagamento pelo acesso à
informação acaba sendo usado como justificativa para filtrar todas as informações
inválidas e "achismos", o que acaba por monopolizar o ensino e elitizar o
conhecimento entre os ricos. Apresentando os problemas da sociedade escolarizada
que comprometem o aprendizado para todos, foi escolhido como objeto de estudo
deste trabalho o ensino não-obrigatório. O método adotado foi a análise bibliográfica
por meio da epistemologia qualitativa de Gonzalez Rey (2005). O objetivo geral do
presente trabalho é analisar propostas diferenciadas para o aprendizado de forma
livre em algumas obras de autores referentes aos problemas ligados ao ensino
obrigatório no mundo. Os objetivos específicos consistem em identificar e conhecer
as principais ideias dos autores que criticam o ensino obrigatório, bem como suas
respectivas propostas de solução para os problemas por eles apontados; analisar as
obras dos autores lidos do ponto de vista argumentativo, e elaborar sugestões de
utilização de aspectos das propostas dos autores para os problemas do ensino
obrigatório. Os autores selecionados para a análise dos dados foram: A. S. Neill
(1960), Carl Rogers (1969), Ivan Illich (1973), Paulo Freire (1983-1989) e José
Pacheco (2008). O autor Ivan Illich critica a institucionalização do ensino e propõe a
extinção da instituição Escola, utilizando a tecnologia para formar Redes de
Aprendizado. A. S. Neill relata fatos e acontecimentos da escola que fundou,
Summerhill, mostrando porque é a favor de dar aos alunos a liberdade de assistir
aulas ou não. Carl Rogers mostra teorias de ensino autônomo e a proposta de
facilitador do aprendizado. Paulo Freire explica o funcionamento de seu método de
alfabetização contextualizado com o universo dos alunos e o com o respeito ao ritmo
e espaço que os alunos têm de trocar informações. José Pacheco mostra a aplicação
do Círculo de Estudos na Escola da Ponte. Por fim, este trabalho concluiu que o
aprendizado autônomo e não obrigatório é mais eficiente, mas eliminar a
obrigatoriedade escolar no mundo inteiro é praticamente impossível no atual sistema
vigente.