Teoria da subjetividade: um caminho para a compreensão da conjugalidade e de seus processos individuais e sociais expressados na psicoterapia
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A Psicologia como ciência compreendeu a subjetividade, essencialmente e simultaneamente,
como um processo individual que determina todos os outros processos e também meramente
social, sendo o homem determinado por ela. A subjetividade é produzida historicamente e não
como resultado direto dos processos que vivemos nos espaços que compartilhamos. O
objetivo principal deste trabalho é explicar a psicoterapia de casal como um cenário
favorecedor para compreensão dos processos subjetivos individuais e sociais, implicados na
conjugalidade. Compreendendo a subjetividade como um processo simbólico e emocional
que se configura no decurso das experiências dos indivíduos e se organiza
histórico-culturalmente no curso da vida, envolvidos em redes dialógicas onde se formam
novos espaços de subjetivação. O diálogo presente na psicoterapia não é uma força ou uma
estrutura independente e sim um espaço capaz de gerar sentidos subjetivos novos, que podem
mobilizar os indivíduos à abertura de outros caminhos e possibilidades de vida. Esses
aspectos evidenciam-se de acordo com a Teoria da Subjetividade em uma perspectiva
histórica e cultural desenvolvida por González Rey e a Epistemologia Qualitativa, na qual se
apoia a pesquisa construtivo-interpretativa orientando os processos metodológicos desta
pesquisa. A psicoterapia como campo de pesquisa representa um momento empírico, onde o
outro vivencia por meio do diálogo, um processo contínuo e permanente que faz aprofundar
ainda mais a pesquisa. Em todo momento a psicoterapia nos permite e nos obriga a
acompanhar a singularidade do caso por completo, construindo hipóteses que darão origem ao
modelo teórico. Realizada em um consultório particular com o casal Maria e João, nomes
fictícios, na idade de trinta e quatro e trinta e sete anos, respectivamente, cujas ferramentas
utilizadas são o diálogo, complemento de frases e outras dinâmicas. Com base na análise das
informações, percebemos que os processos de desenvolvimento subjetivo apresentados na
relação conjugal, se organizam em configurações subjetivas complexas e contraditórias. Os
sentidos subjetivos decorrentes do sistema individual e social, referentes às histórias de vida
singulares e às características da subjetividade social brasileira perpassam, de forma mútua,
pela unicidade de cada pessoa e são expressados pelo caráter dialógico do espaço
psicoterapêutico. Assim, a Teoria da Subjetividade pretende alcançar outros níveis de
compreensão, atrelados aos diferentes espaços sociais das pessoas inseridas na relação,
gerando visibilidade a processos múltiplos e diversos da conjugalidade. Movimentos
reflexivos e conversacionais possibilitam diferentes perspectivas que podem resultar em um
reposicionamento dos indivíduos no casamento.
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Citation
AFONSO, Helena Abdalla. Teoria da subjetividade: um caminho para a compreensão da conjugalidade e de seus processos individuais e sociais expressados na psicoterapia. 2020. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2020.