Sujeito e pós-modernidade: reflexão sobre o relacionamento
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O presente trabalho pretende estabelecer reflexões sobre a relação dialética entre a
subjetividade social e a subjetividade individual no sujeito pós-moderno e em seus
relacionamentos interpessoais, observando como as novas configurações sociais tomam forma
no sujeito e podem favorecer os processos de saúde ou patologia no contexto da pósmodernidade.
Para tanto se utiliza principalmente o enfoque da teoria da subjetividade de
González Rey, a qual proporciona uma visão mais abrangente sobre o tema. Primeiramente é
abordada a pós-modernidade e suas características, destacando-se a condição de incerteza, a
vastidão de possibilidades e o individualismo acentuado, bem como o exacerbamento do
consumo e a priorização da performance e das aparências em detrimento do “ser”. Em seguida
trata-se das novas configurações sociais, principalmente das transformações nas instituições
como o Estado, a família e a Igreja, e da repercussão destas na identidade do sujeito, a qual é
concebida como única, heterogênea e passível de mudanças. Em segundo lugar, aborda-se o
trabalho considerando-o um dos principais espaços sociais pós-modernos pelo tempo a ele
dedicado e por suas características proporcionadoras do consumo e de reconhecimento social.
Posteriormente são tecidas considerações acerca dos relacionamentos interpessoais na pósmodernidade,
os quais envolvem as relações amorosas, a amizade e a família, observando-se
que, a despeito da literatura freqüentemente enfatizar a superficialidade das relações e sua
mercantilização, os relacionamentos interpessoais continuam se estabelecendo, contudo, entre
pequenos grupos que compartilham os mesmo espaços sociais. Por fim discute-se a
plurideterminação dos processos de saúde e doença, focando-se seu aspecto social, o qual foi
durante muito tempo negligenciado por um modelo biomédico. Nessa perspectiva aborda-se a
questão da depressão na contemporaneidade e sua relação com a subjetividade social, a qual
enfatiza a responsabilização do sujeito e o imperativo de liberdade, favorecendo a construção
de sentidos subjetivos de insuficiência e fracasso. Ao final sugerem-se alguns fatores que
podem possibilitar o desenvolvimento da saúde, buscando-se abranger aspectos mais amplos
como o Estado, a família, a escola, o trabalho, a rede social e a religião, quanto aspectos mais
focados no sujeito como sua posição ativa, a personalidade e o modo de vida.