Envelhecimento e subjetividade contemporânea: uma leitura psicanalítica
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O tema abordado no trabalho refere-se ao envelhecimento e subjetividade contemporânea:
uma leitura psicanalítica. O presente estudo objetivou investigar a influência da cultura do
narcisismo sobre a rejeição e o temor de envelhecer; se os idosos se deixam levar pela
influência da mídia que preconiza o mito da eterna juventude; a sua relação com as
experiências corporais impostas e quais as repercussões psicossociais desta adesão; se os
idosos rejeitam a sua realidade diante do temor do envelhecimento e qual é o lugar do idoso
na sociedade contemporânea. O percurso do pensamento que foi utilizado para a elaboração
deste trabalho procurou responder a questões ligadas à subjetividade contemporânea, mais
precisamente a forma como a sociedade voltada para a cultura do narcisismo percebe o
envelhecimento no mundo contemporâneo. Esta é uma pesquisa teórica de inspiração
psicanalítica, com acréscimo de vivência prática, fragmentos da convivência com pessoas da
terceira idade. Na parte teórica aprofundamos a pesquisa através dos conceitos de corpo,
contemporaneidade, narcisismo, estádio do espelho, subjetividade, gozo, envelhecimento
psíquico, entre outros. Para tanto, buscou-se as ideias de Sigmund Freud, Jacques Lacan, bem
como de outros autores psicanalíticos. Contamos também com as contribuições de autores
contemporâneos tais como os filósofos Simone de Beauvoir, Michel Foucault, o sociólogo
Zygmunt Bauman, entre outros. Na discussão foram utilizadas seis categorias escolhidas de
acordo com o resultado das conversas informais que tivemos com os idosos, a saber:
psiquismo saudável no envelhecimento; dependência psíquica no envelhecimento; revivências
das relações amorosas no envelhecimento; dificuldades em lidar com o envelhecimento;
modos de gozo da sociedade contemporânea; preconceito. A análise dos resultados mostrou
que esse público prioriza comportamentos consequentes para uma vida mais saudável e
integrada, dando importância ao binômio mente e corpo, embora ainda haja influência da
cultura do narcisismo sobre a rejeição e o temor de envelhecer. Também se percebeu que a
mídia exerce ascendência sobre uma pequena parcela dos idosos. Notamos, do mesmo modo
que a sociedade necessita se adequar à terceira idade. Concluímos que as opiniões dos idosos
nos ajudam a pensar que existe outro modo de ser e estar neste mundo contemporâneo, um
modo de ser que valoriza a autonomia, as diferenças, a diversidade de escolhas, a criatividade
e a responsabilidade por atos e preferências.