O programa de gerenciamento do estresse em articulação com a Gestalt-terapia
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A proposta desta monografia é articular o Programa de Gerenciamento do
Estresse com a Gestalt-Terapia. O Programa de Gerenciamento do Estresse é um
trabalho socioeducacional, criado pela autora, já testado, direcionado para aplicação em
grupos, que tem por objetivo a promoção da saúde, com foco no manejo do estresse.
Neste sentido, buscou-se definir o estresse e contextualizá-lo na contemporaneidade.
Segundo a literatura revisada, o “modus vivendi” da atualidade, caracterizado pela
rapidez das informações, pela fugacidade dos vínculos interpessoais e pela preocupação
com a performance social, aumentam a vulnerabilidade ao estresse. Se o indivíduo
possui recursos pessoais e sociais para enfrentar a diversidade de estímulos, ocorre o
eustresse, que é benigno-positivo. Assim, o sujeito coloca-se em alerta, agindo e
reagindo, mas recupera a homeostase de seu organismo rapidamente. Caso os recursos
pessoais sejam insuficientes, o estresse patológico ou distresse, prevalecerá, podendo
levar ao adoecimento. Na visão da Gestalt-Terapia, o distresse surge quando a pessoa
vivencia uma situação de impasse existencial, a qual ela não consegue transformar, nem
evitar. Nesta circunstância, a única saída encontrada pela pessoa é criar estratégias de
defesas, ou interrupções de contato, que ao se tornarem padrões de comportamento
rígidos e obsoletos, chamam-se ajustamentos conservativos. Segundo a Gestalt-terapia,
o ajustamento conservativo é uma estratégia de autorregulação ineficiente, uma vez que
não há a satisfação plena das necessidades organímicas, nem a recuperação de seu
equilíbrio. Por outro lado, o processo de autorregulação organísmica saudável, para a
Gestat-terapia, chama-se ajustamento criativo e dá-se quando o indivíduo mantém um
processo de contato pleno com sua realidade, buscando o desenvolvimento de recursos
pessoais e sociais que facilitem o enfrentamento das situações de impasse existencial,
promovendo, assim, sua saúde integral. Saúde, neste contexto, trata-se da qualidade da
fronteira de contato do sujeito, considerando sua capacidade de discriminação das
demandas internas e externas e da possibilidade de agir de modo adequado ao
atendimento dessas demandas, promovendo equilíbrio, crescimento e realização no
campo organismo-meio. Neste sentido, o Programa de Gerenciamento do Estresse foi
planejado visando percorrer todo o ciclo do contato dos sujeitos, considerando as fases
de pré-contato, contato e pós-contato, com o objetivo de promover a autorregulação
organísmica saudável e o ajustamento criativo. Para tanto, busca-se contemplar os
fatores que promovem o contato pleno, quais sejam: fluidez, sensação, consciência,
mobilização, ação, interação, contato final, satisfação e retirada, por meio do
aquecimento, das vivências, do compartilhamento, da elaboração e do processamento
teórico, realizados em cada um dos oito encontros do Programa de Gerenciamento do
Estresse.