A Lei de Responsabilidade Fiscal e a hipótese da fragilização da situação patrimonial das unidades federadas: o caso de Goiás.
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UniCEUB
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Tendo a responsabilidade fiscal no direito financeiro brasileiro como tema geral de pesquisa e como
problemática a perquirição se os marcos regulatórios brasileiros da gestão da responsabilidade fiscal
são adequados para são adequados proteger o patrimônio líquido dos entes federados ou a conduzir
ao equilíbrio fiscal sustentável. Foi utilizado como laboratório de aferência concreta o caso do Estado
de Goiás, enquanto estado federado típico. A hipótese inicialmente levantada, após preliminar pesquisa
exploratória, foi de que a atual legislação norteadora da gestão da responsabilidade fiscal não promove
a real evolução da situação patrimonial dos estados federados ajustada por incrementos qualitativos e
quantitativamente superavitários, a qual pode-se denominar como evolução positiva do patrimônio; pelo
contrário, para a viabilização das gestão das políticas públicas sob responsabilidade de dado ente
federado, implica num mascaramento institucional. Na consecução do objetivo geral, buscou-se
analisar as normas de responsabilidade fiscal no ordenamento jurídico brasileiro, bem como suas
regulamentações no âmbito estadual em face da complexa competência legiferante estabelecida, com
o fito evidenciar a modelagem de restrições e sanções dirigidas aos gestores e as tendências de
comportamento que promovem em diversos cenários fiscais. Utilizou-se como marco teórico a teoria
do estado republicano e como método central o lógico-indutivo, lançando-se mão de ferramentais da
pesquisa operacional e raciocínios típicos da análise econômica do direito, dentre outros. O presente
texto, que se consubstancia em uma síntese do trabalho de pesquisa desenvolvido, evolui o raciocínio
em três partes principais. O primeiro capítulo analisa diferentes dimensões de eficiência no estado
republicano e suas repercussões na construção da compliance na governança e indução do
accountability governamental em face dos incentivos para evolução da cultura organizacional pública.
Já no segundo capítulo examina-se a aderência dos resultados da gestão da responsabilidade fiscal
no caso de Goiás àqueles esperados pelo modelo idealizado pelo legislador, bem como a verificação
da aplicabilidade prática da modelagem de sanções e restrições. No terceiro capítulo sintetiza-se os
principais marcos regulatórios nacionais da responsabilidade fiscal, compilando a modelagem
normativa do controle da gestão da responsabilidade fiscal aplicada nacionalmente aos estados
federados, especialmente quanto às restrições e incentivos que propicia. E conclui pela confirmação
da hipótese, no sentido de que as contradições impostas pela sobreposições de institutos de direito
financeiro, bem como suas distintas interpretações jurisprudenciais e em precedentes estabelecidos
nas cortes de contas, implicam em incentivos contraditórios que não promovem contribuições
incrementais positivas ao patrimônio líquido dos entes públicos, especialmente do Estado de Goiás,
mas ao contrário conduz a um mascaramento institucional das contas públicas que a médio e longo
prazo implica em fragilização do equilíbrio patrimonial e elevação substancial dos riscos fiscais.