Psicanálise e UTI: possíveis diálogos
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A presente pesquisa teve como objetivo investigar as possibilidades de interlocução entre a teoria e a prática psicanalíticas e o espaço hospitalar, mais especificamente, as Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Para isso, foram levantadas discussões pertinentes às possibilidades do fazer psicanalítico no ambiente hospitalar, a dinâmica institucional e relações de poder que constituem os espaços de saúde, e a lógica de funcionamento das UTIs a partir do olhar psicanalítico. Como estratégia metodológica, foi adotada a Análise de Discurso em articulação com os aportes teórico-metodológicos da psicanálise. Participaram desta pesquisa três psicanalistas que atuam na UTI de hospitais do Distrito Federal. Os relatos das participantes foram analisados e articulados à discussão teórica, em busca de construir um conhecimento fundamentado na realidade histórica, política e social em que essa pesquisa se sustenta. Percebeu-se que a UTI se configura como um espaço em que o paciente é dessubjetivado, dada a realidade de sofrimento intenso que ameaça o saber médico tradicional e coloca os profissionais de saúde no confronto com a castração. Defende-se, portanto, que as produções subjetivas de todos os atores que compõem esse espaço têm lugar no campo subjetivo que constitui a UTI, e deverão ser consideradas na busca por práticas de saúde atentas à condição de sujeito.