O eco do não dito: a fantasia inconsciente da criança adotada que desconhece sua história
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O objetivo do meu trabalho é compreender a ferida narcísica da adoção não apenas a partir da
perspectiva dos pais adotivos, mas também a partir da experiência vivida pela criança no
interior dessa família. Por isso, torna-se fundamental que a psicanálise se insira nesse debate,
especialmente considerando as contribuições de autores como Winnicott, Melanie Klein e
Dolto, que ressaltam a importância da relação mãe–bebê para uma constituição psíquica
saudável. Trata-se de uma função materna que não se restringe à mãe biológica, mas pode ser
desempenhada por qualquer cuidador capaz de oferecer o manejo sensível necessário ao
desenvolvimento emocional do bebê. No contexto da adoção, o vínculo estabelecido com a
família adotiva se estrutura a partir de processos identificatórios, permeados por projeções e
introjeções, que podem tanto fortalecer quanto fragilizar os laços afetivos. Assim, os
silenciamentos ou não-ditos sobre a origem biológica da criança não representam apenas a
ausência de uma informação — tornam-se conteúdos que produzem ruídos, infiltram-se no
inconsciente por meio de fantasias inconscientes e reverberam na forma como a criança
constituirá sua personalidade e estabelecerá seus vínculos.
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FERREIRA, Renata Patrícia de Paiva. O eco do não dito: a fantasia inconsciente da criança adotada que desconhece sua história. 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Teoria Psicanalítica) - Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento, Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2026.