O jornalismo e as lanchonetes de fast food: uma análise crítica do processo de produção industrial da notícia
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A ascensão capitalista, expressa pelas revoluções do século XVIII, resultou
em fortes mudanças socioeconômicas na estrutura vigente. O modo de produção que explana
o uso da padronização, homogeneização, divisão do trabalho, manuais e técnicas de supressão
a desperdícios; extravasaram o campo da indústria para atingir a atmosfera intelectual. Ao
adotar tais preceitos de dinamização da produção, o jornalismo colocou em questão a função
social que possui, uma vez que ao privilegiar o lucro em detrimento da notícia, ele põe de lado
sua função primordial: a informação. Se antes a imprensa era tida como campo para a reflexão
social, no qual os jornalistas imprimiam sua assinatura por meio das características textuais,
atualmente, devido a padronização e mecanização do trabalho, estes são identificados apenas
pela assinatura no alto da matéria, uma vez que o corpo do texto assemelha-se ao dos demais
colegas de redação. A homogeneização do conteúdo entre as diversas mídias é fruto de um
medo competitivo, no qual, a busca pelo investimento publicitário, impede a grande imprensa
de ousar mudanças significativas. A partir do exposto é válido afirmar que a notícia é, em
primeira instância, uma mercadoria vendável. Assim, o processo de produção da notícia
dentro de um grande jornal em nada se difere de uma empresa de fast food, por exemplo, a
qual se utiliza das mesmas técnicas tayloristas e fordistas de produção. O objetivo de evitar a
diferenciação entre os produtos finais, por meio da utilização de mecanismos pré-
estabelecidos, revela mais semelhanças do que diferenças entre os dois processos de
produção, e são estes aspectos que este trabalho visa abordar.