Entre a melancolia e o banzo: impactos psicossociais do racismo
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Escravizar exigia a desumanização máxima dos africanos que eram impelidos a assimilar a linguagem, a cultura, a religião e os ideais do dominador. Porém, nesse processo os escravizados não eram passivos e utilizaram inúmeras estratégias de recusa da animalidade e inferiorização que estavam sendo-lhes impostas. Assim, a resistência e rebeldia negra foram expressas por meio das revoltas, dos quilombos, dos crimes e por meio do suicídio. O suicídio do escravizado se dava principalmente por meio de uma enfermidade chamada Banzo que se caracterizava por uma tristeza profunda advinda do sentimento de nostalgia da África e da angústia diante do regime de opressão. A partir disso, interessa-nos pensar como o Brasil contemporâneo, por meio da opressão racial e do branqueamento, continua a produzir sofrimento psíquico na subjetividade do negro. Para tanto, utilizou-se a metodologia do “trabalho do conceito” a fim testar a aplicabilidade do conceito histórico de Banzo e do conceito psicanalítico de Melancolia a contextos sociopolíticos e psicológicos distintos daqueles nos quais eles foram construídos. Por meio da articulação teórica desses conceitos, buscou-se compreender como a subjetividade negra é perpassada pela violência do racismo e pelas representações sociais negativas relacionadas à negritude. Por fim, em oposição a Melancolia e ao Banzo, a expressão afetiva, o amor próprio e a ressignificação da história da população negra, podem ser caminhos potentes para emancipação social e (re)construção de narrativas saudáveis sobre si mesmo.
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AVELAR, Joyce Juliana Dias de. Entre a melancolia e o banzo: impactos psicossociais do racismo. 2019. Monografia (Graduação em Psicologia) – Faculdade de Ciências da Educação e Saúde, Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2019.