Política públicas em saúde reprodutiva: critérios decisórios em litígios envolvendo fornecimento de medicação pelo Estadode São Paulo aos hipossuficientes em tratamentos de infertilidade.
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O presente trabalho tem como objeto o estudo sobre critérios decisórios em litígios
envolvendo fornecimento de medicação pelo Estado de São Paulo aos
hipossuficientes em tratamentos de infertilidade. Os objetivos deste trabalho são
verificar se o Estado de São Paulo tem concedido medicações para as mulheres em
tratamento de infertilidade e que critérios decisórios são utilizados para que sejam
fornecidos ou negados, além de verificar qual o posicionamento majoritário do
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - TJSP a esse respeito. Foram
realizadas pesquisas bibliográficas, pesquisas à legislação e, posteriormente,
analisadas seis apelações prolatadas no período de janeiro de 2011 a fevereiro de
2012, cujos apelantes eram paciente em tratamento de infertilidade e apelados entes
federativos. Em relação às decisões escolhidas, verificaram-se com quais elementos
narrativos os decisores construíram seus argumentos; como foram utilizados
conceitos, princípios e valores nas narrativas decisórias e qual o tipo de
fundamentação predominante (argumentos dogmáticos ou consequencialistas) foi
aplicado para, então, proceder-se à reflexão crítica sobre a prática dos decisores.
Após exame das decisões do TJSP acerca da concessão pelo Estado de São Paulo
de medicamentos para o tratamento de infertilidade, verificou-se que não há um
posicionamento majoritário. Constataram-se tanto decisões favoráveis à concessão
de medicamentos, quanto decisões contrárias à concessão, não havendo
preponderância nítida entre qualquer dos posicionamentos. Notou-se, ademais,
utilização predominante de argumentação moral e sentido de justiça pessoal na
construção das sentenças, somadas ao embasamento legal e principiológico.