Riqueza, abundância e sazonalidade de lagartas em três espécies de plantas em um cerrado de Brasília
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Os dados relativos à riqueza e abundância de lagartas em plantas hospedeiras
do cerrado ainda são bastante escassos, apesar do crescimento significativo das
pesquisas sobre este tema. Deve-se a isso o fato de que na maioria das vezes são
utilizados estudos provenientes de áreas com climas temperados como modelo e
comparação. As lagartas são organismos de coleta e monitoramento relativamente
fáceis, sendo utilizadas com sucesso em pesquisas de história natural, herbivoria,
parasitismo e desenvolvimento animal. A fauna de Lepidoptera do cerrado é pouco
conhecida, se comparada aos dados desta ordem para climas temperados e florestas
secas de ambientes tropicais. As lagartas foram coletadas ao longo de 13 meses em
três plantas hospedeiras características do cerrado sensu stricto, na Fazenda Água
Limpa, em Brasília. As plantas selecionadas foram Acosmium dasycarpum
(Leguminosae), Arrabidaea brachipoda (Bignoniaceae) e Annona sp. (Annonaceae).
As larvas foram criadas até a obtenção do inseto adulto no Laboratório de Ecologia
da Universidade de Brasília sem controle de luz, temperatura e umidade. Os insetos
adultos (Lepidoptera ou parasitóides) foram montados e identificados. As espécies de
plantas A. brachipoda e Annona sp. apresentaram baixa riqueza (nº de espécies) e
abundância (= número de plantas com larvas). A leguminosa A. dasycarpum
apresentou a maior riqueza observada, com 18 morfoespécies, e abundância de
lagartas, com 20,2% de censos com larvas. Annona sp. apresentou 4,1% de
abundância, com l0 morfoespécies registradas, enquanto que a planta hospedeira A.
brachipoda apresentou sete morfoespécies e também baixa abundância (3,6%). O
parasitismo das larvas alcançou 33,3% em uma morfoespécie de Lepidoptera. Os
resultados deste trabalho confirmam que as espécies hospedeiras do cerrado
sustentam uma alta riqueza e baixa abundância de lagartas ao longo do ano, sendo
encontradas tanto larvas raras, com incidência igual ou menor que cinco indivíduos,
como larvas comuns, com ocorrência maior que 20 indivíduos anualmente. O estudo
também ratificou a variação sazonal de lagartas, encontradas em maior número na
estação seca (maio a setembro), período em que a população de parasitóides decresce.
Os picos de abundância de larvas também estão relacionados à fenologia foliar das
plantashospedeiras.