Reflexões sobre morte na perspectiva de psicólogos hospitalares
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O ato de morrer, além de um fenômeno biológico natural, contém intrinsecamente uma
dimensão simbólica, impregnada de valores e significados dependentes do contexto
sociocultural e histórico em que se manifesta. Numa época em que o ser humano é
fragmentado e a morte é deslocada para o hospital, o psicólogo hospitalar tem o papel de
resgatar a integralidade do sujeito hospitalizado, dando-lhe voz e proporcionando-lhe uma
escuta diferenciada. Visto que a morte faz parte do cotidiano deste profissional, buscou-se
refletir sobre a vivência/experiência de psicólogos hospitalares acerca do processo de morte e
morrer, e sua implicação na vida pessoal e profissional desses trabalhadores, a partir de uma
pesquisa qualitativa. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com quatro psicólogos
hospitalares da cidade de Brasília-DF, escolhidos de acordo com o critério de acessibilidade.
Como recurso metodológico de análise foi utilizada a fenomenologia existencial, a partir do
envolvimento existencial e distanciamento reflexivo da autora. Os resultados foram agrupados
em seis categorias temáticas: o valor da experiência no enfrentamento da morte; a função da
religião no lidar com a morte; dor x alívio em decorrência da morte; valorização da vida em
contraponto ao desgaste em decorrência do morrer; onipotência e limitações frente à morte;
postura profissional x pessoal ao acompanhar situações de morte. Visto que a morte só pode
ser experienciada indiretamente, a partir da morte do outro, pode-se dizer que falar de morte é
falar de ambigüidades, evoca sentimentos primitivos e questionamentos. Este estudo não tem
a pretensão de esgotar o tema, assunto complexo e polêmico, mas levantar reflexões e
averiguar como a subjetividade de cada um se manifesta ao lidar com a consciência da
finitude.