Cerrado: extração da flora nativa para fins ornamentais e medicinais e o desenvolvimento sustentável
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A região dos Cerrados abrange cerca de um quarto do território brasileiro,
ou seja, cerca de 200 milhões de hectares, sendo assim, considerado o segundo
maior bioma do Brasil e da América do Sul. Distribui-se principalmente na região
Centro-Oeste e abriga uma riqueza de espécies vegetais úteis ao homem, com
diversos fins, tais como na alimentação, no artesanato, na ornamentação, no uso
medicinal, na produção de óleos, gorduras, resina, goma, etc. Entretanto, parte do
conhecimento destas espécies está nas mãos de leigos que usam as plantas de
maneira indiscriminada e predatória, muitas vezes, arrancando as estruturas férteis
das mesmas, levando-as à extinção, principalmente aquelas plantas que têm mais
de uma utilização. Neste caso, por exemplo, há espécies usadas tanto para fins
ornamentais como para medicinais, aumentando ainda mais a procura dessa
espécie. Da maneira como o extrativismo vem sendo executado, a taxa de retirada
de material proveniente da vegetação nativa está sendo maior que a taxa de
recuperação natural da vegetação. Nestes termos, propõe-se uma utilização
consciente dos recursos naturais, levando em conta os limites impostos pelo
ambiente. Daí a necessidade da existência de planos de manejo sustentado como
uma maneira de fiscalização do uso de espécies vegetais, garantindo assim a sua
preservação, pois, de fato, é este o objetivo do desenvolvimento sustentável:
propiciar a utilização dos componentes da diversidade biológica de modo e em
ritmo tais que não levem, em longo prazo, à diminuição da biodiversidade,
mantendo assim seu potencial para atender às necessidades e aspirações das
gerações presentes e futuras. Para isso devem ser implementados programas de
conservação da biodiversidade no bioma Cerrado, priorizando estudos e ações que
levem ao aperfeiçoamento do manejo sustentável das espécies de interesse
econômico e privilegiem a participação das comunidades locais na gestão dos
recursos naturais.