A paternidade afetiva decorrente da adoção à brasileira
Loading...
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
DOI
Abstract
O presente estudo tratou da “adoção à brasileira” e a relação afetiva paternofilial
construída nessa perfilhação simulada. Considera-se “adoção à brasileira” o
registro de filho alheio como próprio, sem passar pelo devido processo legal de
adoção. Apesar desta prática ser ilegal, sendo, inclusive, capitulada pelo Código
Penal como crime, a problemática surge no momento em que há a constituição de
um vínculo afetivo entre pai e filho. Assim, surgem duas realidades contrapostas: de
um lado a relação advinda da ilegalidade, a qual, inicialmente, deveria ser
desconstituída devido o fato de não existir o processo de adoção e, de outro lado, os
laços afetivos construídos naquela família, os quais trazem sentimentos de
segurança e bem-estar do infante, o qual, sabendo ou não da origem de sua filiação,
considera-se parte daquela família, tendo como seus verdadeiros pais aqueles que o
registraram e o criaram como verdadeiro filho. O presente trabalho concluiu pela
manutenção da paternidade gerada dessa “adoção”, tal como está cada vez mais
sendo aceita pela jurisprudência e doutrina contemporâneas devido a afetividade
gerada, fator essencial na construção das entidades familiares. Além disso, o melhor
interesse da criança e o reconhecimento da afetividade como forma de parentesco
são justificativas fundamentais para a perpetuação dessa relação paterno-filial.