A re(des)construção do processo de diagnóstico de TDAH: nos bastidores de dois estudos de casos
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No presente trabalho as práticas diagnósticas do considerado Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade – TDAH realizadas hoje e respaldadas “cientificamente” são
colocadas em xeque através de uma abordagem histórica, pesquisada em fontes distintas dos
manuais convencionais, mas com todo embasamento teórico e crítico, assim como manda a
ciência. Na tentativa de reconstruir este conceito e compreender como ele se sustenta, foram
estudados dois casos de crianças diagnosticadas como TDAH, associando a teoria descrita nos
manuais como também a teoria desvendada que não consta destes. Analisou-se cada passo do
processo diagnóstico das crianças ditas “hiperativas” e o resultado supõe no mínimo reflexão
acerca da problemática aqui levantada. O discurso determinista associado às inovações
tecnológicas, a exemplo mais simples dos psicotrópicos, é utilizado como solução mágica
proposta pela ciência, para a resolução dos problemas humanos, observado também no âmbito
da educação expresso pela medicalização do fracasso escolar. Na busca por homens perfeitos
e com a conivência dos pais, o controle de comportamentos “inadequados” acontece em
crianças, provavelmente pela falta de conhecimento e informação para perceber essa
atrocidade. Este trabalho teve como objetivo iniciar uma discussão sobre os riscos desse
determinismo biológico, que está tão enraizado no pensamento coletivo que é mantido como
parte da “verdade científica” onde torna-se possível desmistificar conceitos quando utilizamos
um pouco de bom senso e buscamos através de informações outras verdades.