Ayahuasca: perspectivas terapêuticas em estudo
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Estudos científicos recentes têm balizado o potencial terapêutico e antidepressivo de algumas substâncias serotoninérgicas como a mistura ayahuasca, bebida utilizada há centenas de anos por povos indígenas da bacia amazônica e por grupos religiosos no Brasil e exterior. Essa bebida é produto da decocção de duas plantas nativas da floresta amazônica (cipó Banisteriopsis caapi e as folhas do arbusto Psychotria viridis). Essa revisão tem por objetivo apresentar os resultados das mais recentes descobertas realizadas sobre o potencial da ayahuasca para o tratamento da depressão, ansiedade e dependência química. A ayahuasca possui em sua composição os alcalóides β-carbolinas harmina, tetrahidroharmina (THH) e harmalina (inibidores temporários da monoamina oxidase A), que têm a capacidade de provocar ação agonista nos receptores serotoninérgicos, elevando a disponibilidade de serotonina no organismo, além da N-N dimetiltriptamina ou DMT, considerado um análogo estrutural da serotonina. Perspectivas terapêuticas da ayahuasca demonstram haver potencial medicinal para o tratamento de depressão, ansiedade e dependência química, por meio da regulação dos distúrbios na neurotransmissão serotoninérgica (com potencialidade regulatória dos níveis de monoaminoaxidase cerebral), que favorece a desinflamação do eixo hipotálamo-hipófaseadrenal (HHA) e estimulação neurogênica, resultado de efeitos benéficos na modulação da plasticidade cerebral.