Ser mãe de uma criança com câncer: um estudo compreensivo
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Desde tempos remotos o câncer é conhecido pela humanidade e seu significado tem,
na maioria das vezes, uma conotação pessimista, sendo o diagnóstico considerado
como sentença de morte. Com a proposta de amenizar os sofrimentos emocionais e
psicológicos advindos da doença e dos tratamentos, surge então a psico-oncologia, que
é uma interface da psicologia e da oncologia. No Brasil, o câncer já é a terceira causa
de morte por doença na faixa etária de 01 a 14 anos, no município e no estado de São
Paulo é a primeira causa de óbito entre 05 e 14 anos de idade. Quando uma criança é
acometida por tal enfermidade, ocorrem diversas alterações: a criança muitas vezes
interrompe os estudos; sofre com os efeitos colaterais do tratamento; o funcionamento
familiar modifica-se para acompanhar o paciente nos tratamentos; e a percepção de
cada pessoa sobre vários aspectos da vida pode, também, se alterar. Nesse contexto, a
epistemologia qualitativa abre as portas para compreender como essas pessoas
enfrentam o adoecimento, os efeitos do tratamento e outros desdobramentos que a
priori não prevemos. Para realizar esse trabalho, nos apoiamos na teoria da
subjetividade, na epistemologia qualitativa e no conceito de sentido subjetivo
desenvolvidos por González Rey. A produção de informação foi feita a partir da
experiência de uma mãe solteira de 28 anos, que acompanha o tratamento de seu filho
de 04 anos de idade, portador de câncer infantil. O objetivo de nosso trabalho não foi
alcançar resultados absolutos e universais sobre a vivência da mãe durante o
adoecimento do filho. Pretendemos abrir novas zonas de inteligibilidade acerca desse
fenômeno e refletirmos sobre a complexidade do sentido subjetivo. Além disso,
propomos novas alternativas para o trabalho junto aos acompanhantes, visando sua
saúde psicológica durante o tratamento de suas crianças.