Jornalismo terapia: o uso da comunicação como canal de reinserção social para portadores de transtornos mentais
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Abstract
Quando se fala em doença mental ou loucura é quase inevitável recorrer a conceitos
prontos desenvolvidos pelas sociedades ao logo do tempo. Nos vêm logo à mente lembranças de
pessoas descontroladas, que andam nuas pelas ruas, falam e berram sem parar, e deixam um
rastro mal cheiroso por onde passam.
Loucura sempre foi sinônimo de exclusão. Em todos os tempos, doentes mentais ou
indesejáveis foram retirados do convívio social para manicômios, hospícios, asilos, e perderam
suas referências. Eliminados da vida em família, do trabalho, do local onde moram, deixaram de
ser cidadãos. Uma vez excluídos, os loucos ou portadores de transtornos mentais, perderam
também seu lugar de fala na sociedade1
.
A partir dessa análise o presente trabalho se propõe a tornar pública a atividade
desenvolvida pelas oficinas de comunicação do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira (SSCF),
localizado no município de Sousas, em Campinas. Onde, o usuário de saúde mental pode
manifestar suas idéias, opiniões, pensar, duvidar, e, enfim fazer parte do mundo que até hoje os
exclui.
A idéia central é apresentar à sociedade os bastidores do programa de rádio “Maluco
Beleza”, um veículo de comunicação produzido e apresentado pelos usuários do hospital
psiquiátrico de Campinas e tornar público os efeitos terapêuticos e os resultados práticos que
comprovam a importância do exercício da comunicação na inclusão social desses pacientes.
Os jornalistas apresentados não cursam faculdade, não conhecem as teorias da
comunicação e não tiveram a oportunidade de trabalhar em veículos da grande mídia. Mas, sob o
olhar de profissionais de comunicação e orientadores são capazes de construir uma nova forma de
fazer comunicação social e dessa forma garantir o potencial inclusivo de tal prática.