Totalitarismo, alteridade e relações internacionais contribuições para a análise da política internacional
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O presente trabalho tem por objetivo descrever alguns elementos do
totalitarismo, trabalhado a partir da perspectiva de Hannah Arendt, para extrair deles
reflexões que possam ser aplicadas às relações internacionais. Na concepção arendtiana,
entende-se por totalitarismo o regime nazista da Alemanha comandado por Hitler e o
comunismo soviético dirigido por Stálin. Na visão da presente análise, a característica
mais marcante desses regimes é o lugar destinado à alteridade, ou seja, ao outro. O
totalitarismo nega a diversidade e a pluralidade, não deixando nenhum espaço legítimo
à alteridade. Por isso constitui um exemplo histórico único de onde emergem
importantes considerações sobre as relações interpessoais, em especial sobre a
construção da imagem do outro e sobre as atitudes dos homens diante daqueles que lhes
são diferentes. São apresentadas aqui as consequências de uma visão do mundo
maniqueísta, tal qual a totalitária, para as relações sociais. São discussões diretamente
ligadas à construção do sistema internacional, se for considerado que este é moldado
pela interação entre múltiplos atores. O presente trabalho, portanto, utiliza o
totalitarismo e a alteridade para apresentar uma contribuição ao esforço da disciplina de
Relações Internacionais de tornar o mundo inteligível.