O fundamentalismo religioso no Brasil contemporâneo a partir da perspectiva de psicólogos/as
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O fundamentalismo religioso no Brasil contemporâneo pode ser compreendido como reflexo da ascensão de uma política neoconservadora, que aliada a um discurso religioso dogmático, busca a retomada de valores morais bíblicos. Diante desse contexto, no qual emergem ofensivas que ferem os princípios éticos, laicos e democráticos da psicologia, área de conhecimento comprometida com a defesa de direitos humanos, o presente artigo teve por objetivo compreender o fundamentalismo religioso a partir da perspectiva de psicólogos/as. Mais especificamente, buscou investigar se suas crenças pessoais, incluindo as crenças religiosas, e o posicionamento político têm implicações em suas práticas profissionais. Desse modo, participaram do estudo três psicólogos/as, pertencentes a diferentes credos religiosos, que responderam a entrevistas individuais semiestruturadas virtuais, acompanhadas pela apresentação de imagens relativas ao tema investigado. Para análise e interpretação das entrevistas realizadas foi utilizado o método da análise de conteúdo, em sua vertente temática. Os resultados apontaram para uma preocupante legitimação de práticas discriminatórias e antidemocráticas fundamentalistas associadas ao sexismo e à homofobia, que culminam em sofrimento psíquico por parte de mulheres e de indivíduos da comunidade LGBTQIAP+. Além disso, foi identificada a importância do respeito às diferentes crenças e alteridades religiosas durante o processo psicoterapêutico. Para tanto, a pesquisa indicou a relevância do estudo da espiritualidade/religiosidade durante a graduação, temática abordada de forma escassa. Por fim, diferentes sugestões foram apontadas pelos/as psicólogos/as a fim de evitar que suas crenças religiosas e posicionamentos políticos orientem sua prática clínica em detrimento das perspectivas teóricas da psicologia.